Como estar na moda, sendo um ecochique e não um ecochato?

Que o novo pretinho básico é moda ética, não se discute. Personalidades famosas do mundo da moda, como Stella McCartney, Emma Watson, Anne Hathaway  são vozes atuais dos benefícios do ecochique. Stella McCartney lançou recentemente sua coleção em um aterro sanitário. Emma Watson levanta a bandeira sobre roupas feitas a partir de materiais ecológicos, como algodão orgânico, garrafas plásticas recicladas dentre outros. Anne Hathaway usou vestido vintage comprado em brechó em entrevista ao programa Good Morning America, detalhe que o vestido custou apenas R$46.
Mas como nós, mortais comuns, podemos nos transformar em ecochique mantendo ou até reduzindo os gastos com roupas no dia a dia?
A boa notícia é que pode ser muito mais simples do que você pensa. Reformar o que você tem em casa, comprar peças de segunda mão, ou apenas comprar menos já são atitudes incrivelmente sustentáveis.
No livro Wear no Evil, Greta Eagan apresenta o "Guia de Integridade", e mostra pra gente como pode ser fácil começar. O primeiro passo para montar um armário estiloso e sustentável é conhecimento, conhecimento é poder e não é de hoje né? Então vamos lá, Greta nos apresenta 16 novas formas de olhar para uma peça, conhecer estes itens nos tornará consumidoras mais inteligentes e conscientes. Calma que não precisaremos avaliar todos os itens antes de fazer uma nova compra de roupa, após entender os 16 fatores de decisão para uma moda mais ética cada uma de nós deve escolher entre 4 e 5 itens que mais combinam com nossos valores pessoais e criar nosso próprio diagrama de diamante.
Vamos aos fatores, em destaque você conhece aqueles escolhidos pela Mag como suas prioridades.
1.Tingimento Natural: No processo de tingimento padrão as fibras são preparadas com alvejantes e revestidas com produtos químicos para que o corante permaneça intacto nas peças acabadas. O processo libera gases de nitrogênio e dióxido de enxofre, produtos químicos que causam estragos no meio ambiente quando jogados no sistema de água. E como saber como são tingidas as roupas que compro? O jeito mais fácil é procurar o selo de aprovação bluesign, a cada dia se torna mais comum a adoção pelas marcas de transparência quanto a materiais e processos produtivos, então um bom começo é ler as etiquetas como lemos os rótulos dos alimentos. O tingimento natural reduz muito o uso de componentes químicos mas tem um porém de consumir mais água no processo de produção.
2. Fibras Naturais: As fibras naturais incluem fibras vegetais e animais que ocorrem naturalmente, como algodão, seda de algodão orgânico e couro, sem uso de pesticidas ou outros químicos no produção. Elas são biodegradáveis, e algumas delas recicláveis, diferentemente das fibras sintéticas feitas a partir de petróleo e outros químicos, alguns destes classificados como elementos cancerígenos. Recomenda-se lavar a peça 3 vezes antes de usá-la para eliminar estes químicos cancerígenos, atenção as fibras sintéticas a serem evitadas: nylon, rayon, poliéster, acetato, acrílico, spandex. Se você não está pronto para abandonar seu biquíni a boa notícia é que foi desenvolvido um novo tipo de poliéster feito a partir do milho, fibra natural, que sim é biodegradável.
3. Orgânico: O produto sem uso de pesticidas ou fertilizantes. Suportar marcas que usam orgânicos é um voto para garantir que a terra e a água do planeta recebam menos tóxicos. Devido a baixa escala produtiva comprar tecidos orgânicos ainda é uma alternativa mais cara, contudo à medida que haja popularização do consumo o custo cairá.
4. Fair Trade: Padrões de comércio justo asseguram que os artesãos e agricultores que produzem os produtos que consumimos são compensados ​​a um preço mínimo e justo na economia global. Quando você escolhe marcas que possuem selo fair trade você prioriza aquelas que mantêm alto padrão de qualidade em pessoas e processos.
5. Reciclado e Upcycled: Trata do uso de peças antigas, descartadas ou até retalhos de tecido para construção de coleções novas, redução direta da quantidade de lixo produzido. Para reciclagem, novas tecnologias permitem reduzir as peças a sua condição de fibras e a partir daí criar roupas inteiramente novas, válido tanto para fibras naturais quanto sintéticas. No upcycling o desafio é maior, pois será necessário que a indústria olhe para seu excesso de estoque e utilize a criatividade para ressignificar o tecido em peças completamente diferentes.
6. Local: Basicamente, apoiar o movimento compre de quem faz. Comprar de marcas locais e artesãos reduz a quantidade de emissão de CO2 no transporte, gera empregos suportando a economia local, além de contribuir para valorização da diversidade e tradição da sua região.
7. Social: Compre com propósito, priorizar a compra de peças de marcas que apoiam movimentos sociais doando parte do valor de cada peça vendida a uma causa tal como: fome, cooperativas de mulheres trabalhadoras, ONGs, etc. É uma forma de fazer diferença da vida de pessoas que precisam enquanto você se veste.
8. Perda Zero: Entre 10% e 20% do tecido é perdido durante o processo de corte, garantir que não haja nenhuma perda no processo de produção das peças aumenta a eficiência da indústria (teremos peças a um custo menor na vitrine) e reduz consideravelmente o lixo têxtil.
9. Slow Fashion: Priorizar qualidade e longevidade das peças escolhendo marcas que focam em caminhos alternativos para criação, produção e distribuição da moda, estas oferecem ao mercado roupas únicas e especiais. É a volta do clássico, original e criativo sem seguir modismos temporários e descartáveis dos famosos fast fashions.
10. Vegano: Marcas que não utilizam nenhuma parte de animal na produção das peças, seja pelo apelo emocional seja pelo grande impacto ambiental que geram. A alternativa seria o couro ecológico, feito de PVC, material demandante de muita energia e químicos na sua produção além de não ser biodegradável. Alguns couros estão sendo desenvolvidos a partir de componentes vegetais como vinho e pode vir a ser uma boa alternativa no futuro. Se você optar por manter o couro real opte por marcas que aproveitam o couro da indústria alimentícia e utilizam fontes naturais de tingimento, o lado bom é que é uma peça de excelente durabilidade e se você ainda come a carne faz algum sentido usar também o couro.
11. Pouco uso de água: Suportar marcas que têm iniciativas de redução da quantidade de água utilizada durante o processo produtivo. O consumo de água é tão grande na indústria têxtil que para produzir uma camiseta é necessário a mesma quantidade de água que um ser humano beberia por 3 anos.
12. Transparência: Marcas que abraçam a cultura da transparência verdadeira fazem um papel enorme de empoderamento tanto do consumidor quanto do artesão que produziu a peça, reconstruindo a conexão emocional entre aqueles que fazem e nós que consumimos, um passo adiante para uma sociedade mais colaborativa.
13. Berço a Berço: Hoje o sistema de produção é linear, ou seja o produto é concebido e seu fim é um aterro sanitário, feito originalmente de produtos não biodegradáveis. No novo sistema "berço a berço" a concepção do produto leva em conta o processo de reciclagem e o reuso da peça, para que ele seja utilizada como subproduto do mesmo ou outro processo produtivo, economia circular.
14. Convertible: Utilizar peças "coringa" que vão do dia para noite em segundos, versatilidade de estilo. Como resultado teremos necessidade de um armário menor, menores apartamentos, menos lavanderia e mais dinheiro no banco.
15. Usados: Nada é mais sustentável do que a reutilização do que já existe. As tendências e as estações têm acelerado com o advento da moda rápida e, como consumidor, é difícil manter-se atualizado. No entanto, todos sabemos que isso pode sair bastante caro tanto para nossos bolsos quanto para o planeta.
16. Estilo: O último e não negociável fator. Se um item de moda é produzido de forma sustentável mas não atende o estilo, não pode ser considerado uma peça para se ter no armário.

Bem e agora, o que fazemos com tanta informação? Um passo de cada vez. É hora de definir os fatores que estão mais alinhados com o comportamento ético de cada um. Estes fatores comporão o diagrama diamante, de forma simples e flexível para que seja um guia de compra consciente. A única regra é que você não pode comprar nada que preencha apenas o item estilo, deverá comprar quando pelo menos mais um fator de integridade for atendido.


Seremos ecocidadãos fazendo escolhas que atendam a duas bases (estilo+1 fator de integridade), temos conhecimento e estamos prontos para fazer parte da mudança. Se conseguirmos preencher 3 bases nos tornaremos eco guerreiros. E alcançaremos o nível eco guru ao preencher as 4 bases do diamante. Ufa, chegando aqui, seremos seguramente a mudança que queremos ver no mundo
Escolha os valores que mais representam você e comece hoje a tomar decisões de compra mais conscientes. Quando a gente muda, o mundo muda sim! As grandes marcas olham para a demanda do consumidor, se cada vez que formos às compras fizermos escolhas mais ecochiques daremos uma nova indicação do mundo que queremos viver.

Quer ver como é o diagrama diamante da Mag? Clique Aqui
 




 


 

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