Como o consumo consciente mudou a minha vida

    Pense numa ruivinha pequena, crescendo apaixonada por moda. Essa era eu. Queria até ser modelo, mas minha altura nunca permitiria. rs  Então, quando entrei na adolescência, passei a acompanhar desfiles na TV e internet, comprar as revistas de moda, ler sobre os estilistas e sobre alta costura. Sempre encantada com todo aquele glamour. Tanto que meu primeiro emprego quando sai da faculdade de jornalismo foi como assistente de Relações Públicas da Gucci. Trabalhava basicamente com os eventos da marca, que estava abrindo algumas lojas no Brasil.

    Como Andy em “O diabo veste Prada” percebi que o backstage da moda é menos glamouroso do que parece. E acabei me afastando do ramo, mas sempre interessada nas novidades da indústria. Até que, em 2017, me deparei com o documentário “Slowing down fast fashion” que expõe os absurdos da loucura do consumo desenfreado, principalmente com a produção ~quase infinita~ das marcas de fast fashion. O filme é tão forte e impactante (se não assistiu, assista!) que eu parei e pensei “PRECISO fazer alguma coisa”. Ao escolher o caminho do jornalismo, sabia que minha função iria além de apenas apurar e escrever. Minha profissão carrega a missão de levar informação ao maior número de pessoas possível. Então, criei o Manifesto Sustentável, um instablog sobre consumo consciente.

    Nele, eu compartilho tudo que venho aprendendo sobre consumo inteligente e sustentabilidade, tentando dar dicas sobre novas formas de consumir. Dou dicas desde ir ao Starbucks e pedir um chá na xicara e não no copinho de plástico até quais os brechós da moda. Parece básico, mas não é! Eu sei que muita gente consome errado apenas por falta de informação ou até de reflexão. Eu também era assim!

    O Manifesto completou um ano em abril e desde que o fundei minha vida mudou completamente. Fiz o curso “Who made my clothes?” (Quem fez minhas roupas?) pela Universidade de Exeter para entender melhor a indústria da moda e toda sua cadeia produtiva. Participei do desafio #1lookpor1semana, no qual tinha que usar a mesma roupa por uma semana, mudando apenas acessórios e peças extras. Isso me parecia impossível, mas foi um exercício muito transformador, porque percebi a versatilidade das minhas próprias roupas  e isso certamente reduziu minha necessidade de comprar mais.  Participei de um workshop maravilhoso sobre upcycling no Istituto Europeo do Design (IED), com a estilista Gabriela Mazepa, do re-roupa. Fui à minha primeira troca de roupas em um evento lindo organizado pelas meninas da Mag. Fiz trabalho voluntário no Doar Fashion, um dos melhores bazares estilo brechó do Rio. Parei de usar copos e canudos de plástico. Doei muita roupa. Abri uma loja no Enjoei. Reduzi pra valer o meu consumo. Hoje, posso dizer  que 80% do meu armário é composto por roupas de bazar, brechó, eventos de troca, roupas que já foram de amigas ou família. Penso e reflito se preciso mesmo de uma roupa nova e quando a resposta é sim, procuro lojas locais que tenham cuidado com a cadeia produtiva.

    Enfim, nesse ano que passou conheci muita gente engajada e tenho recebido muitos retornos positivos, que me mostram que estou no caminho certo. Estou mais feliz e realizada. Sentindo que estou fazendo diferença, mesmo que pequena. É aquela história das pequenas mudanças gerando grande impacto. A revolução já está acontecendo e ela depende de nós, passo a passo…

Ana Sbardella, jornalista e fundadora do instablog Manifesto Sustentável